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Casas

Da mesma forma que a escola teve uma mudança em sua concepção e nos seus objetivos durante o novo cenário urbano do Brasil republicano do final do século 19, também a residência passou a constituir o “lar”, o locus do “civilizado”, para abrigar a nova família nuclear configurada para atender à cidade industrial, constituída exclusivamente por pai, mãe e filhos, sem os agregados e parentes que coabitavam as residências coloniais.

Para isso, a casa também passou por remodelações e adquiriu novas funções: técnica (novos materiais de construção bem como novos materiais de revestimento que facilitassem a limpeza), climática (implantação para aproveitar melhor insolação e ventilação) e distributiva (divisão de cômodos por idade e sexo, surgimento de quartos para os pais, para filhos homens e mulheres).

Foi só a partir do século XIX que Maceió obteve maior importância diante do Estado de Alagoas, tanto pela comercialização de açúcar através do Porto de Jaraguá, como pela mudança de capital para esta cidade em 1839, período em que os engenhos começaram a ser substituídos pelas usinas. Dessa forma, a casa-grande foi substituída pelas casas urbanas, com famílias se mudando para a nova capital.

Com a transferência da capital para Maceió, houve um impulso em investimento em obras públicas e execução de edificações, além de melhorias de infra-estrutura urbana como serviços de transporte (trilhos urbanos para tráfego de bondes e construção de estradas de ferro), iluminação pública, melhorias em praças e nas ruas, bem como construção de importantes edificações urbanas. Com a república, Maceió buscava renovação, como novos projetos urbanos, além da adoção do pensamento higienista, que persiste até as primeiras décadas do século XX, disseminado na Europa e em várias cidades brasileiras. Uma das principais medidas se deu no sentido de extinguir as regiões alagadiças da cidade, visando a preocupação com a salubridade, além da aspiração à civilização. Esse desejo pelo novo, por uma nova identidade republicada que não poderia mais ter resquícios dos tempos coloniais, foi representado nas casas pela retirada (ou ocultação) do telhado, que deu lugar às platibandas decoradas em estilo eclético.  

O conjunto arquitetônico eclético de Maceió é extenso e grande parte sofre com o descaso, a descaracterização e o risco do desaparecimento. Parte dele vem sendo estudada para ser apresentada neste eixo temático do portal e os primeiros resultados já estão disponíveis para visualização, ainda em construção.

Entretanto, cabe ressaltar que o patrimônio arquitetônico não é constituído apenas de obras do final do século 19 e início do século 20. Ele corresponde ao conjunto de edificações que deve ser protegido de descaracterizações e demolições por constituir o único registro sólido e presente de um tempo passado. Sendo assim, o que foi construído há setenta, cinquenta anos já é patrimônio também e em arquitetura esse estilo é chamado de "moderno", que ficou mais conhecido no Brasil após a construção de Brasília em 1960 (embora a "arquitetura moderna" já estivesse ocorrendo no restante do mundo desde e Primeira Guerra Mundial).

Como este conjunto ainda é relativamente recente e mais ainda, pela falta de iniciativas voltadas para a educação patrimonial, a população desconhece seu valor e por isso muitas vezes não entende a importância de sua preservação. Temos em Maceió exemplares modernos belíssimos e de uma qualidade elevada, como as obras realizadas pela pioneira Zélia Maia Nobre, uma mulher à frente de seu tempo, que formou a faculdade de Arquitetura e Urbanismo em Maceió e cujas obras foram divulgadas até em revistas internacionais na década de 1960. Entretanto, são justamente os exemplares que mais sofrem com a falta de preservação pois não são compreendidas como integrantes do patrimônio arquitetônico. 

Assim, o acervo de casas que apresentamos neste eixo temático inclui construções coloniais, neoclássicas e ecléticas que se fizeram presentes em Maceió em seu período de afirmação enquanto nova capital do Estado de Alagoas mas também destaca importantes exemplares em estilo Art Déco, Neocolonial, Moderno e em breve, a produção contemporânea da cidade.

Muitas destas residências que ainda funcionam com esta finalidade ou já tiveram seu uso modificado ao longo dos anos e encontram-se espalhadas pela cidade.

 


RELU Representações do Lugar - Grupo de Pesquisa
FAU Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
UFAL Universidade Federal de Alagoas - Campus A. C. Simões - Maceió - AL
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